segunda-feira, 4 de julho de 2011

Aos Guerrilheiros de ontem.

A vida é uma plantação de tomates podres,

Como a pretensão das odes,

Como a manutenção das cortes.

Viva o Médici! Viva o Médici!

O vermelho da rosa-viva

(Que não merece outro nome,

apesar de daninha)

Grita desesperado por uma liberdade

Já conquistada, já consentida!

Viva o Médici! Viva o Médici!

E a criação de galinhas, cacareja:

“Morte ao homem-morto!

Morte ao homem-morto!

Morte ao homem-morto!”

E cacareja o galo-rei:

“Matei o homem-morto

Matei! Foi, não foi?”

E a chama vermelha inflama,

Matou o homem-morto

E se reconhece na glória!

“E quem não matou o homem-morto?”

Esse só pode escutar história!

Viva o Médici! Viva o Médici!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Os Tubos.

Tubos, tubos, tubos,

Que me invadem a barriga e o braço!

(não tenho certeza se estou acordado.)

O escuro, em si,

É mais definitivo que a imagem.

Tubos, tudo tubos:

As veias e o intestino do mutilado.

(talvez esteja morto, talvez desacordado)

No escuro e no frio que é a gente mesmo

Quando não temos pensamento algum

O espaço é só nosso corpo inteiro:

Tubos, tubos, tubos!

A morte é a companhia real do companheiro,

(Acho que estava morto, mas veja,

acordei desse jeito:)

Tubos, todo tubos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Flores Murchas.


E as flores de outrora
Não é que murcharam agora?
E nem por isso sou menos feliz
(flores murchas são mais gentis...)
Não dizem nada a meu respeito
E não dizem a respeito de nada
(flores murchas são mais amadas...)
E as flores de mais alta estatura
Satisfeitas e refeitas são, ainda, duras
E eu, híbrido do meio, sou flor e cultura
(flores murchas são mais seguras...)
E nem por isso sou menos que era
(flores murchas são mais sinceras...)

domingo, 26 de junho de 2011

Ao Mundo, Para o Mundo!


O que eu devia

Era contar a história do mundo!

A história de todas as pessoas do mundo!

Mas eu não gosto,

(e também não preciso!)

De ter vontade de chorar.

Calma, calma!

Não quero dizer de nada disso!

E pode ser que um compromisso

Me tire a vontade de falar.

(A história do mundo é tão bonita

É tão afoita e passageira,

Como o que acontece em todo lugar...)

Eu, também, não sei de tudo,

Mas, veja bem, imagino muito!

E, sem saber, posso inventar...

A história do mundo é a minha história

(e o que acontece atrás da porta):

Mundo sem fronteira,

Gente sem lugar.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Olho pro mundo e me sinto órfão,

Órfão de vida, valor e vizinhos.

A verdade é que vejo o mundo

E quando me assusto, não vejo nada,

Olho, porque é isso o que se pode fazer,

(ouvir me aborrece, cheirar me aborrece,

e a sociedade evita a proximidade do tato...)

Mas, mesmo assim, me aborreço.


Olho pro mundo e só vejo gente órfã,

Órfãos de vida, valor e sentido.

Olho pro mundo e não vejo mundo,

Cegueira e poeira, atrapalhando o caminho...

É preciso não ver, é preciso se misturar,

(num mundo senil, caduco e velhaco

A falta de gente e de cores berrantes

Atrapalha a beleza de qualquer lugar)


Paciência’, é o pedido do mundo.

É preciso fé, é preciso ter fé!

Admito a existência de Deuses

De bruxas e bruxarias,

(a mim e aos meus, admito)...

Só não creio na existência das gentes

É mito, afirmo e não hesito.

(ninguém crê se não existe!)

Nesse ponto, sou estrito.


Sou cético,

Se não fosse cego,

Seria Céltico.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Person Revisited ou Verso (em) Branco para Belo Horizonte

Quem me dera ver a minha cidade como estrangeiro.

E nunca perceber que a beleza das meninas daqui

Não as torna mais bonitas que as meninas do mundo.

Quem me dera não ter as minhas, minas, meninas dos olhos.

Poder ver – pra ver e poder – tudo isso, como se não fosse meu...


(devia ser, no mundo, que nos tornássemos donos de tudo o que já vimos mais de um milhão de vezes)


Assim, talvez, minha cidade não fosse tão feia

pasmem, porque minha cidade pode parecer bela aos que não viram a minha cidade

aos que são puros, aos que são bons, aos que não têm o meu coração


(Ao Papa, meu Deus!, ao Papa)


Quem me dera não ver a minha cidade

Quem me dera não conhecer cada rato e cada esgoto da minha cidade

Quem me dera não saber pra onde correr na minha cidade

quem me dera a minha cidade fosse a cidade dos outros

e eu não amasse a minha cidade.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

As 27 horas do dia.

Entre todas as vinte e sete horas do dia

Em vinte quatro horas eu só sei viver(!)

E nas outras três horas que sobram no dia

Eu penso, reflito e só digo o quero dizer!

Se eu vejo quem é como é; será que ele me via?

(em todas as vinte sete horas do dia...)

Nas vinte sete horas que existem num dia

Três são usadas por mim pra sonhar e beber

E as outras, cimento e concreto, não são poesia!

São duras, são frias; mas, ah! Que se pode fazer?

Um discurso, um recurso, ou, quem sabe, um curso de Letras

(Nas vinte e quatro horas em que não valem as outras)

E viver em três horas o que não se vive na vida

Em todas as vinte e sete horas do dia...